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Chernobyl nuclear power plant shut down

por Agar, em 13.12.19

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On December 12, 2000, the Chernobyl Nuclear Power Station, located in the eponymous city of Ukraine, was decommissioned. The plant went down in history because of the serious nuclear accident on April 26, 1986. An explosion and a fire threw huge amounts of radioactive particles into the atmosphere, which spread through much of the then Union of Soviet Socialist Republics (USSR). ) and western Europe. In the accident, 31 people died, but it was not yet possible to establish the number of victims due to the consequences of the accident, which can cause cancer and congenital malformations due to radiation. Between the date of the accident and May 5, around 130,000 people were evacuated from the area around the plant.
The Chernobyl Plant began construction in the 1970s and its first reactor was inaugurated in 1977. Two other reactors were commissioned in 1981 and 1983, respectively.
Watch documentary
 

 

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publicado às 09:20

Playing For Change Song Around

por Agar, em 13.12.19

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Playing For Change is a movement created to inspire and connect the world through music. The idea of ​​the project came from the common belief that music has the power to break boundaries and close distances between people.
 
Playing For Change was born in 2002 as a shared vision between co-founders Mark Johnson and Whitney Kroenke of taking to the streets with a mobile recording studio and cameras looking for inspiration. This musical journey resulted in the award-winning documentary "A cinematic discovery of street musicians."
 
In 2005, Mark Johnson was walking through Santa Monica, California, when he heard Roger Ridley's voice singing "Stand By Me." Roger felt a lot of soul and conviction in his voice, and Mark approached him and offered him a "Stand By Me" performance. Roger agreed, and when Mark returned with recording equipment and cameras, he asked Roger, "With a voice like yours, why are you singing on the streets?" Roger replied, "Man, I'm in the joy business." The Playing For Change team then traveled around the world recording and filming musicians, creating Songs Around the World and building a global family.
 
Creating music around the world has inspired us to bring together many of the best musicians we have met along our journey and form Playing For Change. These musicians come from many different countries and cultures, but through music they speak the same language. The PFC band is now touring the world and spreading the message of love and hope to the public everywhere.
 
The true measure of any movement is what it gives back to the people. So we created the Playing For Change Foundation, a non-profit organization dedicated to building children's music and art schools around the world and creating hope and inspiration for the future of our planet.
 
No matter who you are or where you are from, we are all united by music.
Support this movement by becoming a member and together we will make the world a better place.
Site
https://www.cambriausa.com/foundation/

Related Videos

Behind The Song: "The Weight"  Playing For Change

https://www.youtube.com/watch?v=m7C6TlQC8Y8

The Weight Featuring Robbie Robertson Playing For Change Song Around The World https://www.youtube.com/watch?v=ph1GU1qQ1zQ

SOUND

https://playingforchange.lnk.to/listentothemusicID

532 Colorado Ave, 2nd Floor Santa Monica, CA 90401 - USA
info@playingforchange.comhttps://www.facebook.com/PlayingForChange/https://twitter.com/playing4change

 

 

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publicado às 09:08

Playing For Change

por Agar, em 13.12.19

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Informação Geral

Playing For Change é um movimento criado para inspirar e conectar o mundo através da música. A idéia do projeto surgiu da crença comum de que a música tem o poder de romper fronteiras e superar distâncias entre as pessoas.

Playing For Change nasceu em 2002 como uma visão compartilhada entre os co-fundadores, Mark Johnson e Whitney Kroenke, de chegar às ruas com um estúdio de gravação móvel e câmeras em busca de inspiração. Essa jornada musical resultou no premiado documentário “Uma descoberta cinematográfica de músicos de rua”.

Em 2005, Mark Johnson estava andando em Santa Monica, Califórnia, quando ouviu a voz de Roger Ridley cantando “Stand By Me”. Roger tinha muita alma e convicção em sua voz, e Mark se aproximou dele propondo-lhe  uma apresentação de “Stand By Me”. Roger concordou e, quando Mark voltou com equipamento de gravação e câmeras, perguntou a Roger: “Com uma voz como a sua, por que você está cantando nas ruas?” Roger respondeu: “Cara, eu estou no negócio da alegría”.Desde então, a equipe do Playing For Change viajou pelo mundo gravando e filmando músicos, criando Songs Around the World e construindo uma família global.

Criar músicas ao redor do mundo nos inspirou a unir muitos dos melhores músicos que conhecemos ao longo de nossa jornada e formar a banda Playing For Change. Esses músicos vêm de muitos países e culturas diferentes, mas através da música eles falam o mesmo idioma. A banda do PFC está agora em turnê pelo mundo e divulgando a mensagem de amor e esperança para o público em todos os lugares.

A verdadeira medida de qualquer movimento é o que ele devolve ao povo. Criamos, portanto, a “Playing For Change Foundation”, uma organização sem fins lucrativos dedicada à construção de escolas de música e arte para crianças em todo o mundo e à criação de esperança e inspiração para o futuro do nosso planeta.

Não importa quem você é ou de onde você é, estamos todos unidos através da música.

Apoie esse movimento tornando-se um membro e juntos faremos do mundo um lugar melhor.

Playing For Change

Principal Site

https://www.cambriausa.com/foundation/

532 Colorado Ave, 2nd Floor Santa Monica, CA 90401 – USA

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publicado às 08:18

Analise Filosofica da vida

por Agar, em 05.12.19

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Não me considero especialista nem em ciência nem em filosofia. Tenho, contudo, tentado com afinco, durante toda a minha vida, compreender alguma coisa acerca do mundo em que vivemos. O conhecimento cientifico e a racionalidade humana que o produz são, em meu entender, sempre falíveis ou sujeitos a erro. Mas são também, creio, o orgulho da humanidade. Pois o homem é, tanto quanto sei, a única coisa no universo que tenta entende-lo. Espero que continuemos a fazê-lo e que estejamos também cientes das severas limitações de todas as nossas intervenções.

Karl Raimund Popper

 

 

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publicado às 13:22

Concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera atingem outra alta | Organização Meteorológica Mundial

por Agar, em 26.11.19

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Mais um ano, outro recorde

Genebra, 25 de novembro de 2019 — Os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram outro novo recorde, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial. Essa tendência contínua de longo prazo significa que as gerações futuras serão confrontadas com impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, incluindo temperaturas crescentes, clima mais extremo, estresse hídrico, aumento do nível do mar e perturbações nos ecossistemas marinhos e terrestres.
O Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM mostrou que as concentrações médias globais de dióxido de carbono (CO2) atingiram 407,8 partes por milhão em 2018, acima das 405,5 partes por milhão (ppm) em 2017.

O aumento de CO2 de 2017 a 2018 foi muito próximo ao observado de 2016 a 2017 e logo acima da média na última década. Os níveis globais de CO2 ultrapassaram as simbólicas e significativas 400 partes por milhão de referência em 2015.
O CO2 permanece na atmosfera por séculos e nos oceanos por mais tempo. As concentrações de metano e óxido nitroso também aumentaram em quantidades maiores do que na década passada, de acordo com observações da rede Global Atmosphere Watch, que inclui estações no remoto Ártico, áreas montanhosas e ilhas tropicais.

Desde 1990, houve um aumento de 43% no forçamento radiativo total — o efeito do aquecimento no clima — pelos gases de efeito estufa de longa duração. O CO2 é responsável por cerca de 80% disso, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA citados no Boletim da OMM.
“Não há sinal de desaceleração, muito menos de um declínio, na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas”, disse o secretário-geral da OMM Petteri Taalas. “Precisamos traduzir os compromissos em ação e aumentar o nível de ambição em prol do futuro bem-estar da humanidade”, disse ele.

“Vale lembrar que a última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO2 foi de 3–5 milhões de anos atrás. Naquela época, a temperatura era de 2–3 ° C mais quente, o nível do mar era 10–20 metros mais alto do que agora ”, disse Taalas.

Gap de emissões

O Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM informa sobre as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa. As emissões representam o que entra na atmosfera. As concentrações representam o que resta na atmosfera após o complexo sistema de interações entre a atmosfera, biosfera, litosfera, criosfera e oceanos. Cerca de um quarto do total de emissões é absorvido pelos oceanos e outro quarto pela biosfera.
Não se estima que as emissões globais atinjam o pico até 2030, muito menos até 2020, se as políticas climáticas atuais e os níveis de ambição das Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs) forem mantidos. As descobertas preliminares do Relatório de Gaps de Emissões de 2019 indicam que as emissões de gases de efeito estufa continuaram a aumentar em 2018, de acordo com um capítulo avançado do Relatório de Gaps de Emissões lançado como parte de uma síntese do United in Science para a Cúpula de Ação Climática do Secretário-Geral da ONU em setembro. O relatório da United in Science, que reuniu as principais organizações parceiras no domínio da pesquisa global sobre mudanças climáticas, sublinhou a lacuna evidente — e crescente — entre as metas acordadas para combater o aquecimento global e a realidade real.

“As conclusões do Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM e do Relatório de Gap de Emissões do PNUMA nos apontam em uma direção clara — neste período crítico, o mundo deve oferecer ações concretas e intensificadas sobre emissões”, disse Inger Andersen, diretor executivo do Programa Ambiental da ONU. (PNUMA). “Enfrentamos uma escolha gritante: acionar as transformações radicais de que precisamos agora ou enfrentar as conseqüências de um planeta radicalmente alterado pelas mudanças climáticas”.
Um Relatório de Lacunas de Emissões separado e complementar da ONU Meio Ambiente será lançado em 26 de novembro. Agora em seu décimo ano, o relatório Emissions Gap avalia os estudos científicos mais recentes sobre as atuais e estimadas futuras emissões de gases de efeito estufa; eles os comparam com os níveis de emissão permitidos para o mundo progredir em um caminho de menor custo para alcançar os objetivos do Acordo de Paris. Essa diferença entre “onde provavelmente estamos e onde precisamos estar” é conhecida como lacuna de emissões.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a Cúpula deu “um impulso no momento, na cooperação e na ambição. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. ”
Isso será levado adiante pela Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que será realizada de 2 a 15 de dezembro em Madri, Espanha, sob a presidência do Chile.

Principais conclusões do Boletim de Gases de Efeito Estufa

O boletim inclui um foco em como os isótopos confirmam o papel dominante da combustão de combustíveis fósseis no aumento do dióxido de carbono atmosférico.
Existem várias indicações de que o aumento dos níveis atmosféricos de CO2 está relacionado à combustão de combustíveis fósseis. Os combustíveis fósseis foram formados a partir de material vegetal há milhões de anos e não contêm radiocarbono. Assim, sua queima adicionará à atmosfera CO2 livre de radiocarbono, aumentando os níveis de CO2 e diminuindo seu conteúdo de radiocarbono. E é exatamente isso que é demonstrado pelas medições.

Dióxido de carbono

O dióxido de carbono é o principal gás de efeito estufa de longa duração na atmosfera, relacionado às atividades humanas. Sua concentração atingiu novos máximos em 2018 de 407,8 ppm, ou 147% do nível pré-industrial em 1750.

O aumento de CO2 de 2017 a 2018 ficou acima da taxa média de crescimento na última década. A taxa de crescimento média de CO2 durante três décadas consecutivas (1985–1995, 1995–2005 e 2005–2015) aumentou de 1,42 ppm / ano para 1,86 ppm / ano e para 2,06 ppm / ano com as maiores taxas anuais de crescimento observadas durante o El Niño eventos.

O Índice Anual de Gases de Efeito Estufa da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) mostra que, de 1990 a 2018, o forçamento radiativo por gases de efeito estufa de vida longa (LLGHGs) aumentou 43%, com o CO2 representando cerca de 80% desse aumento.

Metano

O metano (CH4) é o segundo gás de efeito estufa de maior duração e contribui com cerca de 17% da força radiativa. Aproximadamente 40% do metano é emitido na atmosfera por fontes naturais (por exemplo, áreas úmidas e cupins), e cerca de 60% vem de atividades humanas como criação de gado, agricultura de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros e queima de biomassa.

O metano atmosférico atingiu uma nova alta de cerca de 1869 partes por bilhão (ppb) em 2018 e agora é 259% do nível pré-industrial. Para o CH4, o aumento de 2017 para 2018 foi superior ao observado entre 2016 e 2017 e à média da última década.

Óxido nitroso

O óxido nitroso (N2O) é emitido para a atmosfera de fontes naturais (cerca de 60%) e antropogênicas (aproximadamente 40%), incluindo oceanos, solo, queima de biomassa, uso de fertilizantes e vários processos industriais.

Sua concentração atmosférica em 2018 foi de 331,1 partes por bilhão. Isso representa 123% dos níveis pré-industriais. O aumento de 2017 para 2018 também foi maior do que o observado de 2016 para 2017 e a taxa média de crescimento nos últimos 10 anos.

O óxido nitroso também desempenha um papel importante na destruição da camada estratosférica de ozônio, que nos protege dos raios ultravioleta nocivos do sol. É responsável por cerca de 6% da força radiativa por gases de efeito estufa de longa duração.

Notas para editores

O Programa Global Watch de Atmosfera da OMM coordena observações e análises sistemáticas de gases de efeito estufa e outras espécies-traço. Cinquenta e quatro países contribuíram com dados para o Boletim de Gases de Efeito Estufa. Os dados de medição são relatados pelos países participantes e arquivados e distribuídos pelo World Data Center para Gases de Efeito Estufa (WDCGG) na Agência Meteorológica do Japão.
Para mais informações, entre em contato com: Clare Nullis, oficial de mídia. Email cnullis@wmo.int. Celular +41 79 709 13 97

 

 

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publicado às 06:10

O grupo católico "Arautos do Evangelho" é alvo de investigação do Ministério Público por abuso psicológico e humilhações

por Agar, em 08.11.19

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O grupo católico “Arautos do Evangelho” é alvo de investigação do Ministério Público por abuso psicológico e humilhações em internatos na Serra da Cantareira, em São Paulo. O caso foi revelado em reportagem do Fantástico, da TV Globo, ontem.

Foram ouvidas mais de 20 pessoas, entre ex-arautos e pais de crianças e adolescentes, que vivem isolados. Os relatos são de uma rotina de alienação, sem contato com o mundo exterior. A situação foi confirmada por laudos feitos a pedido do MP.

Desde o início do ano passado, as denúncias ao Ministério Público foram feitas por 40 pessoas, na cidade de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, onde ficam os castelos do grupo. Também há relatos de assédio e estupro.

As mães ouvidas pelo Fantástico contam que começaram a desconfiar quando notaram uma mudança de comportamento nos filhos e afirmam que os Arautos estimulam o afastamento da família.

“Minha filha virou um robô. Minha filha não existe. Ela não tem amor pela gente, não tem carinho, não tem nada. Ela é um robô”, lamenta uma delas, que não quis se identificar.

Entre as 23 pessoas ouvidas pela reportagem, doze foram citadas no inquérito aberto no MP. Todas relatam situações parecidas.

Video 1

Com o demônio não se brinca

https://rutube.ru/video/54387dbd37c66946c219ac1c38f5ec0d/

Video2

João Clá um perigo para a Igreja Católica

https://rutube.ru/video/9233ee2b2cc7fcd471aabec4d3a0ec96/

Video3

Reportagem Globo https://ok.ru/video/1330180131462

 

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publicado às 13:13

A BERAKAH, A ORAÇÃO MAIS LINDA DOS JUDEUS!

por Agar, em 15.07.19

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“Bendito és  Tu, Senhor nosso Deus. Rei do mundo que alimentas todo o mundo com tua bondade, graça, fidelidade e piedade, és tu quem dás o pão a toda carne, porque eterna é a Tua fidelidade e na tua grande e perene bondade não nos faltou e não nos faltará o alimento eterno e para sempre, por causa de Teu Nome grande, porque és tu que alimentas e nutres e beneficiais a todos e dispões o alimento para todas as tuas criaturas que criaste.”

“Bendito és Tu, Senhor nosso Deus, que alimentas a todos!. Nós te confessamos, Senhor nosso Deus, da terra do Egito, e nos libertaste da casa da servidão, e por tua aliança que marcaste em nossa carne, e por tua Lei que nos ensinaste, e por teus estatutos que nos fizeste conhecer, e pela vida, a graça e a fidelidade com que nos agraciaste, e por ter comido o alimento com que nos alimentas e nos nutres perenemente a cada dia e em todo tempo e em toda hora. E, por todas essas coisas, Senhor nosso Deus, nós Te confessamos e te bendizemos: seja bendito teu Nome na boca de todo vivente perenemente, eternamente e para sempre, como está escrito: “E comerás e te saciarás e bendirás o Senhor Deus teu, pela terra boa que te deu”.(Dt 8, 10).”

“Bendito és Tu, Senhor, pela terra e pelo alimento.
Tem, pois, piedade, Senhor nosso Deus, de Israel, teu povo, e de Jerusalém, tua cidade, e de Sião, habitação de tua glória, e do reino da casa de Davi, teu messias, e da casa grande e santa sobre a qual foi invocado o teu Nome.”

“Nosso Deus, Pai nosso, apascenta-nos, alimenta-nos, nutre-nos, e sustenta-nos e faze que tenhamos alento sim, dá-nos maneira de ter alento, Senhor nosso Deus, depressa, em todas as nossas tribulações; e te rogamos:

Não nos faças sentir necessidade, Senhor nosso Deus, nem das mãos que dão um dom de carne e sangue nem das mãos que dão seu empréstimo, mas só de tua mãos cheia, aberta,  santa e generosa, da qual não nos envergonharemos, e pela qual não seremos confundidos eternamente e para sempre”.

“Nosso Deus e Deus de nossos pais, sobe, vem e junta-te e se veja agradável e seja escutada e seja considerada e seja rememorada diante de ti a memória de nós e a consideração de nós e a memória de nossos pais e a memória do Messias, filho de Davi, teu servo, e a memória de Jerusalém, tua cidade santa, e a memória de todo o teu povo, a casa  de Israel;

Para o “resto”, para o bem, para a graça, e para a fidelidade e para a piedade, para a vida e para a paz, neste dia da festa dos ázimos;

Faze memória de nós, Senhor nosso Deus, nele para o bem, e considera-nos nele para a benção, e salva-nos nele para a vida, e com a palavra de salvação e de piedade sê compassivo, e faze-nos graça e tem piedade de nós e salva-nos, porque para ti são nossos olhos, porque um Deus de graça e de piedade és tu.

E reconstrói-nos Jerusalém, cidade santa, prontamente, em nossos dias. Bendito és tu, Senhor,  que nos reconstróis Jerusalém (em tua piedade).Amém”. ( 1 )


 

 

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publicado às 08:00

Quatro sinais de que você tem inteligência emocional

por Agar, em 18.06.19

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Para identificar se uma pessoa tem inteligência emocional, basta observar como essa pessoa se comporta em um ambiente social. Se o indivíduo em questão age de maneira calma, compreensiva e toma o devido cuidado para não utilizar expressões negativas, é provável que tenha a empatia como uma característica pessoal forte.

Classificada como um conceito da Psicologia, a inteligência emocional consiste na capacidade de de entender e traduzir os sentimentos dos outros e os próprios. Além disso, o indivíduo com essa habilidade toma a liderança em situações sociais com facilidade, por saber como lidar com questões emocionais daqueles com quem convive.

Por ser algo que pertence à personalidade do ser humano, essa característica – que, segundo Charles Darwin, é necessária para a sobrevivência – se manifesta nos mais diversos contextos sociais, de maneira quase espontânea e despercebida.

Para auxiliar na identificação da inteligência emocional em você e nos demais, um estudo listou quatro sinais que podem facilitar:

Refletir sobre as suas reações

Saber a diferença entre uma reação positiva e uma negativa, em decorrência de circunstâncias, pode ser um sinal de inteligência emocional. Emoções humanas possuem informações que podem ser úteis para o funcionamento pessoal e social. No entanto, elas podem sobrecarregar o indivíduo e fazer com que aja de maneira irracional.

Por conta disso, pessoas que tem pouca capacidade de identificar suas emoções estão mais suscetíveis à reagirem mal a uma situação difícil. Se a pessoa souber lidar com os seus próprios sentimentos, ela tende a se dar um tempo para pensar nas boas e más consequências de suas ações, antes de agir de maneira precipitada e se prejudicar.

Visualizar situações como desafios

Se o individuo é capaz de reconhecer suas emoções negativas e utilizá-las para se motivar positivamente, isso é um sinal de alta inteligência emocional. Significa que ele é capaz de se adaptar à diversas situações.

Exemplificando, é possível encaixar nessa história alguém que acaba de perder o emprego. Uma pessoa emocionalmente inteligente identificaria, através de suas emoções, que isto é um sinal para que reaja de alguma forma.

Porém, um indivíduo com problemas emocionais pode acabar remoendo a perda de seu emprego, reforçando ideias negativas sobre si próprio que podem desencadear uma depressão.

Capacidade de modificar as emoções

Em tempos de sentimentos que sugam a energia individual, é preciso saber contorná-los para voltar a funcionar bem socialmente e pessoalmente. Saber lidar com as emoções é essencial para se ajudar.

Por exemplo, ao analisar uma pessoa que sofra de ansiedade, é possível ver que a doença, em seus níveis médios, pode aprimorar o desempenho do foco e ajudar na motivação. Entretanto, um aumento desses níveis pode frear completamente o desenvolvimento individual.

É preciso, portanto, encontrar um ponto em que a ansiedade se torne estável. A moderação é a chave para cuidar das próprias emoções.

Se colocar na situação do outro

Embora pareça clichê, ser empático pela situação que o outro está passando é um claro sinal de que o indivíduo sabe compreender emoções.

A capacidade de estender esse conhecimento para situações além das que tenham a ver com o funcionamento individual é extremamente importantes para ambientes tóxicos.

Tendo como contexto um relacionamento amoroso, é necessário que pelo menos um dos envolvidos possua inteligência emocional para motivar o outro a dar o seu melhor.

É importante ressaltar que essa habilidade pode vir de maneira natural para alguns, enquanto outros podem adquiri-la ao longo dos anos, através de uma mudança de comportamento.

 

 

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publicado às 10:13

Estigmatização Social

por Agar, em 28.05.19

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ESTIGMA E IDENTIDADE SOCIAL

No decorrer da historia humana diversas culturas estipulavam status morais e sociais, os quais o indivíduo deveria seguir se não este seria marginalizado socialmente. Na Grecia antiga foi criado o termo estigma, este conceito estava relacionado a algum sinal corporal representava um status, seja ele bom ou ruim. Estes quando representava uma característica ruim eram evitados, principalmente em lugares públicos. Nesta mesma vertente os cristãos criaram um estigma relacionado a dádivas celestiais.

Segundo Goffman, sempre a sociedade tentou estipular uma identidade social comum entre as pessoas exigindo que respeitem esses atributos por ela estabelecidos, podendo o indivíduo sofre sanções caso não sejam compridas. Logo as primeiras pré-noções de um sujeito que nos é apresentado vai depender da sua identidade social que ele apresenta. Fazemos afirmações daquilo que o indivíduo que esta a nossa frente deveria ser assim este caráter estabelecido a esse sujeito, pode ser uma categorização efetiva, uma identidade social virtual. Já as características que ele apresenta possuir são chamadas de identidade social real. Quando estipulamos um atributo a um estranho, o classificando como diferente dos outros, desconsiderando que este é uma pessoa comum, reduzindo-o a uma ser estragado e inferior, ou ate superior a nós, estamos aplicando nele um estigma. E o que acontece, por exemplo, com o usuário de droga, a sociedade rotula o usuário com um indivíduo inferior, o estigmatiza levando-o assim a mais baixa casta social moderna, sendo este a pior vitima quando se torna um dependente da substancia. Neste ponto, Warley Belo pondera:

"Toda via, o maconheiro não é uma entidade demoníaca, não vende sua alma ao diabo, não é o inimigo público número um ou um malandro a mercê do direito penal do inimigo, mas, apenas um usuário afetado por um vício maléfico a si próprio que precisa ser debelado com informações e ajuda profissional (Belo, 2008, pag. 46)."

O IGUAL E O INFORMADO

Segundo Goffman temos a identidade virtual e a identidade real, tanto conhecida com manifestada, afeta o indivíduo do convívio social de si próprio, tornando-o uma pessoa desacreditada. Isso abaixa a auto-estima do ser estigmatizado, porém este quando se depara com outro igual, que compartilha o mesmo estigma, poderá encontrar nesse apoio moral, pois sabendo do peso de carregar tal estigma pode propiciar a vida do indivíduo estigmatizado na sociedade, fornecendo refugio e amparo. O artífice, continua neste sentido a desmembrar a vida em sociedade do estigmatizado, no engajamento destes em grupos de pessoas que compartilham do seu estigma, como os Alcoólatras Anônimos, grupo de ex-viciados, idosos, movimento negro, de ex-presidiários, comunidades étnicas ou religiosas; sendo que quando um membro de um grupo desses entra em contato com outro, os dois podem dispor-se a modificar o seu tratamento mútuo, devido à crença de que pertencem ao mesmo grupo.

Goffman mostra que o principal intuito desses grupos é mostrar aos outros tanto normais e estigmatizados que um indivíduo desse tipo pode ser uma boa pessoa. Neste quesito de informar aos outros sobre a situação do estigmatizado um representante grupo é essencial. Este pode ser uma pessoa que se destaca entre os estigmatizados e os normais, pode ser tanto um profissional ou um comum, que alcançou destaque causando repercussão na comunidade local devido ao seu estigma.

O autor considera que a dois conjuntos de indivíduos onde o estigmatizado pode encontrar apoio: os iguais; que são aqueles que compartilham do mesmo estigma, e os informados; que são normais que sabendo da condição do estigmatizado considera-o como uma pessoa comum, e o indivíduo que recebe o estigma não têm vergonha de mostrar sua situação.

Os informados podem ser divididos em dois grupos: o primeiro diz respeito às pessoas que tem uma informação sobre o estigma com seu trabalho. Um exemplo e o dos policiais lidam constantemente com criminosos, tendo que os policiais são as únicas pessoas, além dos outros criminosos, que o aceita pelo que ele é. Outro tipo de pessoa informada é o indivíduo que se relacionam com um estigmatizado através da estrutura social. A mulher de um paciente metal, a filha de um ex-presidiário, os pais do aleijado, o amigo não usuário do maconheiro; ocorre que estes adquirem um pouco desse estigma, mesmo não o possuindo, contudo por se relacionar com alguém que tem é tratado com tal.

A CARREIRA MORAL

Goffman trabalha na vertente de uma carreira moral do indivíduo estigmatizado, este no processo de socialização passa por duas fases iniciais; a primeira é quando ele aprende e incorpora o ponto de vista dos normais em relação de quem possui um estigma, e a outra se da quando ele aprende que tem um estigma e sofre as conseqüências de possuí-lo. Partindo dessa principio forma-se modelos que servem de base para um desenvolvimento posterior, desses modelos Goffman menciona quatro.

O primeiro modelo é daqueles que possuem um estigma inato, que desde pequeno aprende a visão dos normais em relação ao seu estigma particular, e padece do peso de telo, um órfão por exemplo. O segundo vem da família que tende a proteger um ente seu com um estigma das informações que possam diminuí-lo. Porém chegara um momento onde este circulo protetor não suprirá o contato dessa pessoa com o mundo, como ir a escola, onde ele passara por suas primeiras experiências morais. É de se ressaltar que quanto mais visível for o seu estigma, maior será a probabilidade de ser enviado para uma escola de crianças especiais, para junto de seus iguais. O terceiro modelo nos apresentado pelo artífice é os que adquirem um estigma numa fase mais avançada da vida ou aprende muito tarde que sempre foi estigmatizado.

É exemplificado com quarto modelo aqueles que são socializados em uma comunidade diferente, e quando se depara com uma outra deve aprender uma segunda maneira de ser, aquela que as pessoas à sua volta acham válida e real.

Quando um indivíduo aprende que é portador de um estigma é provável que mude sua relação perante outros estigmatizados, pois em um único contato com outros iguais, é suficiente para ele perceber que existem outros iguais a ele, e no convívio com esse que compartilham do mesmo estigma, ele aprenderá mais sobre seu estigma, tanto é que uma pessoa recentemente estigmatizada aprende com os outros iguais a se relacionar com os normais, ao ponto desse novato similar os membros mais antigos do grupo com seres humanos comuns.

CONTROLE DE INFORMAÇÃO E IDENTIDADE PESSOAL

O DESACREDITADO E O DESACREDITÁEL

Uma possibilidade fundamental na vida da pessoa estigmatizada é a colaboração que presta aos normais no sentido de atuar como se a sua qualidade diferencial manifesta não tivesse importância nem merecesse atenção especial.

A manipulação da manifestação da informação oculta que desacredita o eu, ou seja, o "encobrimento", o ex-paciente mental esconde informação sobre sua identidade social verdadeira recebendo e aceitando um tratamento baseado em falsas suposições a seu respeito.

A INFORMAÇÃO SOCIAL

É uma informação sobre um indivíduo sobre suas características mais ou menos permanentes, em oposição a estados de espírito, sentimento e intenções que ele poderia ter em certo momento. É transmitida pela própria pessoa a que de refere, através da expressão corporal da presença imediata daqueles que a recebem. Chamados de social à informação que possuem todas essas propriedades.

A informação social transmitida por um símbolo pode estabelecer uma pretensão especial a prestígio, honra ou posição de classe desejada. Tal signo é popularmente chamado de "símbolo de status". Signos que são especialmente efetivos para despertar a atenção sobre uma degradante discrepância de identidade que quebra o que poderia de outra forma ser um retrato global coerente, com uma redução conseqüente em nossa valorização do indivíduo.

Alguns signos que trazem informação social, cuja presença, inicialmente, se deve a outras razões, têm apenas uma função informativa superficial. Há símbolos de estigmas que nos dão exemplo desse ponto: as marcas no pulso que revelam que indivíduo tentou suicídio; as marcas do braço viciado em drogas; os punhos algemados dos prisioneiros em trânsito.

VISIBILIDADE

Ex-pacientes mentais e pais solteiros que esperam o filho compartilham um defeito que não é imediatamente visível; os cegos, entretanto, são facilmente notados. A visibilidade é obviamente, um fator crucial.

Já que através da nossa visão que o estigma dos outros se tornem evidente com maior freqüência, talvez o termo visibilidade não crie muita distorção. Ele deve ser diferenciado de três outras noções que são com freqüências confundidas com ele.

Em primeiro lugar, a visibilidade de um estigma deve ser diferenciada de sua "possibilidade de ser conhecido", em segundo lugar a intrusibilidade e em terceiro o "foco de percepção". Em geral, então, antes que se possa falar de grau de visibilidade, deve se especificar a capacidade decodificadora da audiência.

A IDENTIDEDE PESSOAL

Na situação da pessoa desacreditável e o seu problema de ocultamento e revelação, foi necessário, em primeiro lugar, examinar o caráter da informação social e da visibilidade.

A análise da interação social entre os estigmatizados e os normais não exigiu que os indivíduos envolvidos no contato misto se conhecessem "pessoalmente" antes de a interação se iniciar.

Há uma idéia popular de que embora contatos impessoais entre estranhos estejam particularmente sujeitos a respostas estereotípicas, na medida em que as pessoas relacionam-se mais intimamente essa aproximação categórica, sede, pouco a pouco, à simpatia compreensão e à avaliação realística de qualidade pessoal. Assim, quer estejamos em interação com pessoas intimas ou com estranhos, acabaremos por descobrir que as marcas da sociedade ficam claramente impressos nesses contatos, colocando-nos, em nosso lugar.

Por outro lado, as pessoas íntimas podem vir a desempenhar um papel especial na manipulação de situações sociais por parte do desacreditável, de tal maneira que quando a sua aceitação não for influenciada por seu estigma, as suas obrigações o serão.

OS OUTROS COMO BIÓGRAFOS

A identidade pessoal, assim como a identidade social, estabelece uma separação, para o indivíduo, no mundo individual das outras pessoas.

Essa divisão ocorre em relação aos que conhecem e os que não conhecem o indivíduo. O indivíduo que é conhecido por outros pode ter ou não conhecimento desse fato; as pessoas que o conhecem, por sua vez, podem saber ou não que o indivíduo conhece ou ignora tal fato. Por outro lado, entretanto, embora acredite que os outros não o conhecem, ele nunca tem absoluta certeza disto. Além disso, sabendo que o conhecem, ele deve, pelo menos até certo ponto, conhecer algo sobre eles; mas em caso contrário poderá ou não conhecê-los em relação a outros aspectos. Quando um indivíduo está entre pessoas para as quais ele é um estranho completo e só é significativo em termos de sua identidade social aparente imediata, uma grande possibilidade com a qual ele deve se defrontar é de que essas pessoas comecem ou não a elaborar uma identificação pessoal para ele (pelo menos a recordação de tê-lo visto em certo contexto conduzindo-se de uma determinada forma) ou de que elas abstenham-se totalmente de organizar e estocar o conhecimento sobre ele em torno de uma identificação pessoal, sendo esse último ponto uma característica da situação completamente anônima. Pode-se acrescentar que todas as vezes que um indivíduo entra numa organização ou numa comunidade, ocorre mudança marcada na estrutura do conhecimento sobre ele - sua distribuição e seu caráter - e, portanto, mudança nas contingências do controle de informação. A relação social ou o conhecimento pessoal é, necessariamente, recíproca, embora, é claro, uma ou mesmo ambas as pessoas que estão na relação possam temporariamente esquecer que são conhecidas, assim como uma delas ou mesmo ambas podem estar cônscias dessa relação mas ter esquecido, temporariamente, tudo sobre a identidade pessoal da outra.

Para uma pessoa famosa, "fugir" para um lugar onde ela possa "ser ela mesma" pode significar, talvez, encontrar uma comunidade onde não exista uma biografia sua.

Ao se considerar a fama, pode ser útil e conveniente considerar a má reputação ou infâmia que surgem quando há um círculo de pessoas que têm um mau conceito do indivíduo sem conhecê-lo pessoalmente. A função óbvia da má reputação é a de controle social, do qual devem ser mencionadas duas possibilidades distintas.

A primeira delas é o controle social formal. Há funcionários e círculos de funcionários cuja ocupação é examinar com cuidado vários tipos de público em busca da presença de indivíduos identificáveis cujos antecedentes e reputação o tornou suspeito, ou mesmo "procurado" pela justiça. Não há dúvida de que os meios de comunicação de massa desempenham um papel central, tornando possível que uma pessoa "privada" seja transformada em figura "pública".

Parece que a imagem pública de um indivíduo, ou seja, a sua imagem disponível para aqueles que não o conhecem pessoalmente, será, necessariamente, um tanto diversa da imagem que ele projeta através do trato direto com aqueles que o conhecem pessoalmente.

Um indivíduo que porta algum tipo de estigma, portanto, pode descobrir maneiras para fugir da atenção hostil do público, através da manipulação da identidade pessoal.

O ENCOBRIMENTO

Existem dois extremos possíveis na relação de um indivíduo estigmatizado com as demais pessoas com a quais ele se relaciona: onde ninguém conhece o estigma e onde todos o conhecem.

Há muitos casos em que parece que o estigma de um indivíduo sempre será aparente, mas em que isso não ocorre; se fizermos um exame, descobriremos que, ocasionalmente, ele terá que optar por ocultar informações cruciais sobre sua pessoa.

Dadas as várias possibilidades encontradas entre os extremos de completo segredo, por um lado, e informação completa, por outro, parece que os problemas daqueles que fazem esforços conjuntos e organizados para passar despercebidos são os problemas que um grande número de pessoas enfrentará mais cedo ou mais tarde. Devido às grandes gratificações trazidas pelo fato de ser normal, quase todos os que estão numa posição em que o encobrimento é necessário, tentarão fazê-lo em alguma ocasião. Mais ainda, o estigma do indivíduo pode estar relacionado a questões que não convém divulgar a estranhos.

É importante observar que, quando o estigma está relacionado a partes do corpo que os normais devem esconder em público, o encobrimento é inevitável, quer desejado ou não.

Quando uma pessoa, efetiva ou intencionalmente, consegue realizar o encobrimento, existe também uma grande possibilidade de ocorrer um "incidente embaraçoso", onde ocorre uma ameaça à identidade virtual criada por esta pessoa.

Uma das contingências básicas do encobrimento é de que ele será descoberto por todos os que podem identificá-lo pessoalmente e que incluem entre seus antecedentes biográficos fatos não manifestos e que são incompatíveis com suas pretensões atuais. É então, incidentalmente, que a identificação pessoal relaciona-se estreitamente com a identidade social.

É esta a base das variedades de chantagens. Há a "pré-chantagem", onde a vitima é forçada a continuar num determinado curso de ação devido a um aviso do chantagista de que qualquer mudança o levará a revelar fatos que tornarão a mudança insustentável. Há a chantagem "completa", ou clássica, na qual o chantagista recebe dinheiro através da ameaça de revelar fatos sobre o passado ou o presente do indivíduo que poderiam desacreditar por completo a identidade que ele sustenta no momento. Deve-se observar que toda a chantagem completa inclui o tipo que chamamos de "chantagem de autoconservação", já que o chantagista bem sucedido, além de obter o que desejava evita também a penalidade imposta à chantagem. Falando em termos sociológicos, a chantagem, em si pode não ser tão importante; é mais importante considerar os tipos de relações que uma pessoa pode ter com aqueles que poderiam se quisessem chantageá-la.

Se há algo de desacreditável sobre o passado de um indivíduo, ou sobre o seu presente, a precariedade de sua posição parece variar diretamente em função do número de pessoas que sabem do segredo. Quer as pessoas que saibam sejam poucas ou muitas, há, aqui, uma vida dupla simples, que abrange aqueles que pensam que conhecem aquele homem totalmente e aqueles que "realmente" o conhecem. Essa possibilidade deve ser contrastada com a situação do indivíduo que vive uma dupla vida dupla, movendo-se em dois círculos, cada um dos quais desconhece a existência do outro e possui a sua própria biografia do indivíduo. Um homem que tem um caso, que é, talvez, conhecido por um pequeno número de indivíduos que podem, inclusive, estar relacionados com o casal ilícito, está levando uma vida dupla simples. Entretanto, se o casal ilícito começa a fazer amigos que ignoram que ele não é realmente um casal, começa a emergir uma dupla vida dupla. O perigo no primeiro tipo de vida dupla é o da chantagem ou revelação maliciosa; o perigo no segundo tipo, talvez o maior, é o da revelação inadvertida, já que nenhuma das pessoas que conhece o casal está orientada no sentido de manter o segredo que não conhecem como tal.

Há, na literatura, algumas indicações referentes a um ciclo natural do encobrimento. O ciclo pode começar com um encobrimento inconsciente que o interessado pode não descobrir nunca; daí passa-se a um encobrimento involuntário que o encobridor percebe, com surpresa, no meio do caminho; em seguida, há o encobrimento "de brincadeira"; o encobrimento em momentos não rotineiros da vida social, como férias em viagens; a seguir, vem o encobrimento em ocasiões rotineiras da vida diária, como no trabalho e em instituições de serviço; finalmente, há o desaparecimento - o encobrimento completo em todas as áreas de vida, segredo que só é conhecido pelo encobridor.

Anteriormente foram sugeridas duas fases no processo de aprendizagem da pessoa estigmatizada: a aprendizagem do ponto de vista dos normais e a aprendizagem de que, segundo ele, ela está desqualificada. A próxima fase consiste na aprendizagem de como lidar com o tratamento que os outros dão ao tipo de pessoas que ele demonstra ser, ou seja, a aprendizagem do encobrimento. Começando com um sentimento de que tudo o que é conhecido por ele é conhecido pelo, outros, freqüentemente elabora uma apreciação realística de que não é isso o que ocorre. Por exemplo, conta-se que os fumadores de marijuana aprendem lentamente que podem atuar sob seus efeitos na presença de pessoas que os conhecem bem sem que elas percebam nada de anormal - uma aprendizagem que aparentemente ajuda a transformar um fumante ocasional em fumante regular.

O indivíduo que se encobre tem necessidades não previstas que o obrigam a dar uma informação que o desacredita tem que explicar a escolha singular de seu beneficiário. Ele sofre também de "aprofundamento de pressão", ou seja, pressão para elaborar mentiras, uma atrás da outra, para evitar uma revelação. Suas técnicas adaptativas podem elas próprias, ferir sentimentos e dar lugar a mal-entendidos por parte de outras pessoas. Seus esforços para esconder certas incapacidades o levam a. revelar outras ou a dar a impressão de fazê-lo: relaxamento, como quando uma pessoa quase cega que finge ver tropeça num banquinho ou derrama bebida na camisa.

Não saber até que ponto vai à informação que os outros têm de si constitui um problema sempre que o seu chefe ou o professor está devidamente informado de seu estigma, mas os outros não. Como foi sugerido ele pode-se tornar sujeito a vários tipos de chantagem por parte de quem conhece o seu segredo e não tem nenhum bom motivo para guardar silêncio sobre ele.

Em outro momento, a pessoa que se encobre pode ser forçada a se revelar a outras que acabaram por descobrir o seu segredo e devem colocá-la frente ao fato de haver mentido. Toda a relação obriga as pessoas nela envolvidas trocar informações sobre certa quantidade de fatos íntimos sobre si mesmas como prova de confiança e compromisso mútuo.

A pessoa que se encobre deverá estar atenta a aspectos da situação social que outras pessoas tratam como não computados ou inesperados, alguns problemas nem sempre podem ser manejados pela experiência passada, já que sempre surgem novas contingências que tornam inadequados os artifícios de ocultamento anteriores.

TÉCINICAS DECONTROLE DE INFORMAÇÃO

A identidade social de um indivíduo divide o seu mundo de pessoas e lugares, o que o faz também a sua identidade pessoal, embora de maneira diferente. Um conceito-chave aqui é o de rotina diária porque é ela que o vincula às diversas situações sociais de que ela participa. Se o indivíduo é uma pessoa desacreditada, procuramos o ciclo quotidiano de restrições que ele enfrenta quanto à aceitação social; se ele é uma pessoa desacreditável, buscamos as contingências com que se depara na manipulação da informação sobre sua pessoa.

Consideremos agora algumas das técnicas usuais utilizadas por aquele que tem um defeito secreto, a fim de manipular a informação crucial sobre si.

É óbvio que uma das estratégias é esconder ou eliminar signos que se tornaram símbolos de estigma, os viciados em drogas nos fornecem um exemplo.

Deve-se acrescentar que já que o equipamento físico empregado para mitigar os prejuízos "primários" de algumas desvantagens torna-se, compreensivelmente, um símbolo de estigma, haverá um desejo de recusar o seu uso. Um exemplo disso é o do indivíduo que está perdendo a visão e que evita usar óculos bifocais porque eles poderiam indicar velhice. Mas é claro que essa estratégia pode impedir medidas compensatórias. Por conseguinte, tornar esse equipamento corretivo invisível terá uma dupla função. As pessoas com dificuldades auditivas nos dão uma ilustração do emprego desses equipamentos corretivos invisíveis (O ocultamento de símbolos de estigma algumas vezes ocorre ao mesmo tempo em que um processo relacionado, o uso de desidentificadores, como pode ser ilustrado pelos hábitos de James Berry, o primeiro verdugo profissional da Inglaterra, que guardava seus instrumentos de trabalho dentro da roupa, para não ser denunciado por sua mala, típica da profissão que exercia).

Outra estratégia de encobrimento é apresentar os signos de seu estigma como signos de outro atributo que seja um estigma menos significativo. Os retardados mentais, por exemplo, aparentemente tentam passar por doentes mentais já que dos dois males sociais esse é o menor.

Uma estratégia amplamente empregada pelo sujeito desacreditável é manusear os riscos, dividindo o mundo em um grande grupo ao qual ele não diz nada e um pequeno grupo ao qual ele diz tudo e sobre o qual, então ele se apóia.

Deve-se acrescentar que as pessoas íntimas não só ajudam a pessoa desacreditável em sua simulação, mas também levam essa função além do que suspeita o beneficiário; elas podem, de fato, servir como um círculo protetor que lhe permite pensar que é mais amplamente aceito como uma pessoa normal do que ocorre na realidade.

Recusando ou evitando brechas de intimidade, o indivíduo pode evitar a obrigação conseqüente de divulgar informação. Ao manter relações distantes, ele assegura que não terá que passar muito tempo com as pessoas porque, como já foi dito, quanto mais tempo se passa com alguém, maior é a possibilidade da ocorrência de fatos não previstos que revelam segredos.

Deve-se considerar, agora, uma possibilidade final, que permite ao indivíduo antecipar-se a todas as outras. Ele pode voluntariamente revelar-se, transformando, portanto, radicalmente a situação de um indivíduo que tem informações a manipular na de alguém que deve manipular situações sociais difíceis, transformando a situação de uma pessoa desacreditável na de uma pessoa desacreditada.

Um dos métodos de revelação é o uso voluntário, por um indivíduo, de um símbolo de estigma, um signo extremamente visível que revela o seu defeito onde quer que ele vá.

Alguns meios menos rígidos de revelação também são usados: deslizes intencionais ou por meio de uma "revelação devida à etiqueta", uma fórmula por meio da qual o indivíduo admite o seu próprio defeito como uma questão de fato, baseando-se na suposição de que os presentes estão acima de tais preocupações, ao mesmo tempo em que os impede de cair numa armadilha mostrando que não o estão. Assim, o '"bom" judeu ou o doente mental esperam por "uma ocasião apropriada" na conversa com estranhos e dizem calmamente: "Bem, ser judeu me faz pensar que..." ou "Por ter tido uma experiência direta como doente mental, posso...".

Por fim, a aprendizagem do encobrimento constitui uma fase da socialização da pessoa estigmatizada e um ponto crítico na sua carreira moral, essa fase é tipicamente descrita como a fase final, madura e bem ajustada - um estado de graça na qual o indivíduo passa por uma revelação voluntária de seu estigma.

O ACOBERTAMENTO

Os estigmatizados empregam uma técnica adaptativa, que exige que o investigador considere duas possibilidades: a situação da pessoa desacreditada que deve manipular a tensão e a situação da pessoa desacreditável que deve manipular a informação. Os estigmatizados empregam uma técnica adaptativa, entretanto, que exige que o investigador considere essas duas possibilidades. A diferença entre a visibilidade e a obstrução está implícita neste ponto.

As pessoas que estão prontas a admitir que têm um estigma (em muitos casos porque ele é conhecido ou imediatamente visível) podem, não obstante, fazer grandes esforços para que ele não apareça muito. Os meios empregados para isso são muito semelhantes aos empregados no encobrimento - e, em alguns casos, idênticos, já que aquilo que esconde um estigma de pessoas desconhecidas também pode facilitar as coisas frente a quem o conhece. É assim que uma moça que anda melhor com sua perna de pau utiliza muletas ou uma perna mecânica nitidamente artificial quando em companhia de outras pessoas. Esse processo será chamado de acobertamento. Muitas pessoas que raramente tentam encobrir-se tentam, em geral, se acobertar.

Um tipo de acobertamento relacionado com o anterior implica um esforço para restringir a exibição dos defeitos mais centralmente identificados com o estigma. Por exemplo, uma pessoa quase cega que sabe que as outras pessoas presentes conhecem o seu defeito pode hesitar em ler alguma coisa porque para isso teria que trazer o livro a poucos centímetros de seus olhos o que, segundo ela, expressa muito flagrantemente as qualidades da cegueira.

A expressão mais interessante do acobertamento é, talvez, a associada à organização de situações sociais. Como já foi sugerido, qualquer coisa que interfira diretamente na etiqueta e na mecânica da comunicação interfere constantemente na interação, e é difícil deixar, com sinceridade, de prestar atenção a ela. Portanto, os indivíduos que têm um estigma, sobretudo os que têm um defeito físico, podem precisar aprender a estrutura da interação para conhecer as linhas ao longo das quais devem reconstituir a sua conduta se desejam minimizar a intromissão de seu estigma. A partir de seus esforços, portanto, podem-se conhecer características da interação que, de outra forma, seriam consideradas demasiadamente óbvias para merecerem atenção.

ALINHAMENTO GRUPAL E IDENTIDADE DO EU

Neste ensaio foi feita uma tentativa para estabelecer uma diferença entre a identidade social e a identidade pessoal, ambos os tipos podem ser bem compreendidos se considerados em conjunto e contrastados com o que Erikson e outros chamaram de identidade do "eu" ou identidade "experimentada", ou seja, o sentido subjetivo de sua própria situação e sua própria continuidade e caráter que um individuo vem a obter como resultado de suas várias experiências sociais.

A identidade social e pessoal são parte dos interesses e definições de outras pessoas em relação ao indivíduo cuja identidade está em questão. No caso da identidade pessoal, esses interesses e definições podem surgir antes mesmo de o indivíduo nascer e continuam depois dele haver sido enterrado, existindo então em épocas que o indivíduo não pode ter nenhuma sensação, inclusive as de indivíduo. Por outro lado, a identidade do "eu" é uma questão subjetiva e reflexiva, que deve ser experimentada pelo indivíduo cuja identidade está em jogo. Quando um criminoso usa um pseudônimo, está-se afastando totalmente de sua identidade pessoal; quando mantém as iniciais originais ou algum outro aspecto de seu nome original, está favorecendo um sentido de sua identidade do "eu".

A identidade social nos permitiu considerar e estigmatizar.

A identidade pessoal nos permitiu considerar o papel do controle de informação na manipulação do estigma.

A idéia de identidade do "eu" nos permite considerar que o individuo pode experimentar a respeito do estigma e sua manipulação.

AMBIVALÊNCIA

O individuo estigmatizado tem uma tendência a estratificar seus "pares" conforme o grau de visibilidade e imposição de seus estigmas. Ele pode tomar em relação àqueles que são mais evidentemente estigmatizados do que ele as atitudes que os normais tomam em relação a ele.

Pessoas que têm dificuldades auditivas não se vêem absolutamente como pessoas surdas, e as que têm deficiência de visão não se consideram cegas.

É em separação ou associação de seus companheiros mais estigmatizados que a oscilação da identificação do individuo é mais fortemente marcada.

Ligada a esse tipo de estratificação auto-evidente, está a questão das alianças sociais, ou seja, se a escolha que o individuo faz de seus amigos, namoradas e esposa ocorrerão dentro de seu próprio grupo ou "do outro lado da linha".

Uma garota cega não sentia interesses em se envolver com homens com a mesma limitação, mas com o tempo, conhecendo vários tipos de rapazes. Acabou por valorizar os sentimentos que um cego poderia ter por ela, passando assim a respeitas um homem cego por suas próprias qualidades.

É provável que quanto mais o indivíduo se alie aos normais, mais se considerará em termos não estigmáticos.

Quer mantenha uma aliança íntima com seus iguais ou não, o individuo estigmatizado pode mostrar uma ambivalência de identidade quanto vê de perto que eles comportam-se de um modo estereotipado, exibindo de maneira extravagante ou desprezível os atributos negativos que lhes são imputados. Isso pode afastá-lo, já que apóia as normas da sociedade mai ampla, mas a sua identificação social e psicológica com esses transgressores o mantém unido ao que repele, tornando repulsa em vergonha, depois transformando essa vergonha em algo de que se sente envergonhado. Resumindo, ele não pode nem aceitar o seu grupo nem abandoná-lo.

A ambivalência parece encontrar-se de maneira mais aguda no processo de aproximação.

Essa ambivalência de identidade pode ser caracterizada, em modo irônico, através de caricaturas, piadas e lendas que revelam certas fraquezas de um membro estereotípico da categoria.

AS APRESENTAÇÕES PROFISSIONAIS

Sugeriu-se que o individuo estigmatizado se define como não-diferente de qualquer outro ser humano, embora ao mesmo tempo ele e as pessoas próximas o definam como alguém marginalizado. Dada essa autocontradição básica do individuo estigmatizado, é compreensível que ele se esforce para descobrir uma doutrina que forneça um sentido consistente à sua situação. Na sociedade contemporânea, isso significa que o indivíduo não só tentará, por conta própria, elaborar tal código, mas que, como já foi sugerido, os profissionais o ajudarão – algumas vezes com a intenção de fazê-lo contar sua história de vida ou de contar como se saíram de uma situação difícil.

Os códigos apresentados ao individuo estigmatizado, seja explicita ou implicitamente, tendem a cobrir certas questões-padrão. Um modelo desejável de revelação e ocultamento é proposto (Ex: no caso de um ex-paciente mental algumas vezes ecomenda-se que ele esconda devidamente o seu estigma simples conhecido mas que se sinta bastante seguro sobre a natureza médica e não moral de seus defeitos passados para revelar-se à sua esposa, seus amigos mais chegados e seu empregador).

É provável que seja prevenida contra a "menestrelização" (esforço consciente para representar plenamente o papel), por meio da qual a pessoa estigmatizada deseja conquistar as graças dos normais exibindo o repertório completo de qualidades negativas imputadas a seus iguais, consolidando, assim, uma situação vital dentro de um papel ridículo: onde um aleijado não deveria ser nada além de um aleijado, agindo como incapaz. Uma anã, bem educada frente aos amigos íntimos e familiares, e uma "palhaça" na frente de pessoas que não conhece, pois é essa a imagem que se tem desde a idade média.

Há também o caso em que as pessoas não são prevenidas contra a "menestrelização" e sim encorajadas a sentir repugnância por aqueles seus companheiros que, sem chegar a realmente manter um segredo sobre seu estigma, adotam um acobertamento cuidadoso, se preocupando muito em mostrar que são muito sadios, generosos, sóbrios e capazes de realizar pesados trabalhos físicos, imagem inversa às aparências.

Deveria estar claro que esses códigos de conduta defendidos fornecem ao individuo estigmatizado não só uma plataforma e uma política e não só instruções sobre como tratar os outros, mas também receitas para uma atitude apropriada em relação a seu "eu". Não conseguir aderir ao código significa estar-se iludindo, ser uma pessoa desencaminhada; ser bem sucedido significa ser uma pessoa real e digna, duas qualidades espirituais que se combinam para produzir o que é chamado de "autenticidade".

Há duas implicações de defesa desses códigos:

1º: o conselho sobre a conduta pessoal algumas vezes estimula o indivíduo estigmatizado a tornar-se um crítico da cena social, um observador das relações humanas.

2º: os conselhos ao estigmatizado freqüentemente se referem com bastante singeleza à parte de sua vida da qual ele mais se envergonha e que considera a mais privada; suas feridas mais profundamente escondidas são tocadas e examinadas clinicamente. São embrulhadas e colocadas à sua disposição fantasias de humilhação e triunfo sobre os normais.

ALINHAMENTOS INTRAGRUPAIS

O arauto diz que o grupo "natural", real a que o estigmatizado pertence é formado pelos companheiros de sofrimento, e sofreram as mesmas privações que ele sofreu porque têm o mesmo estigma. Ele se volta para o seu grupo, é leal e autêntico; se se afasta dele é covarde e insensato.

Os profissionais podem defender uma linha militante, fazendo o estigmatizado elogiar os valores e as contribuições especiais assumidos de sua classe, podendo-se encontrar um judeu de segunda geração que intercala em seus discursos expressões e sotaque de judeu, e o homossexual que é acintosamente escandaloso em lugares públicos.

Agora, se ele procura algum tipo de separação, e não de assimilação, pode descobrir que está necessariamente apresentando seus esforços militantes na linguagem e no estilo de seus inimigos. Quanto mais ele se separa dos normais, mais parecido com eles ele se tornará nos aspectos culturais.

ALINHAMENTOS EXOGRUPAIS

Existe o grupo dos iguais (intragrupais) e um segundo grupo, os normais e a sociedade mais ampla que eles constituem. Essa linguagem não é tanto política quando a linguagem anterior e sim psiquiátrica. O indivíduo que adere à linha defendida é considerado como pessoa madura bem ajustada; quem não adere é considerado uma pessoa fraca, rígida, defensiva, com recursos internos inadequados.

Recomenda-se ao indivíduo que se veja como um ser humano completo como qualquer outro, alguém que na pior das hipóteses, é excluído daquilo que é apenas uma área da vida social.

Quem disse que os aleijados são infelizes? Eles ou vocês?

Já que o seu mal não é nada em si mesmo, ele não deveria envergonhar-se dele ou de outros que o têm; nem se comprometer ao tentar oculta-lo. Ele deveria preencher os padrões comuns tão completamente quanto possível, detendo apenas quando surge a questão da normificação, onde seus esforços podem dar a impressão de que ele está querendo negar a sua diferença.

Os normais não têm nenhuma intenção maldosa quando oferecem ajuda; quando o fazem é porque não conhecem bem a situação.

Quando descobre que os normais têm dificuldade em ignorar seu defeito, a pessoa estigmatizada deve tentar ajudá-los e à situação social fazendo esforços conscientes para reduzir a tensão, tentando, por exemplo, quebrar o gelo, referindo-se explicitamente ao seu defeito de um modo que mostre que ele está livre, que pode vencer suas dificuldades facilmente.

Brincadeira do cigarro, onde um aleijado senta-se num bar ou numa festa, e fumava-o tranquilamente, como se nada fossa impossível ou difícil a ele. E as pessoas olhavam espantadas, fazendo comentários das coisas incríveis que ele poderia fazer um par de "garras".

Uma senhora um tanto sofisticada tinha seu rosto desfigurado devido a um tratamento de beleza, achava conveniente desculpar-se comicamente em lugares cheios de pessoas pelo caso de lepra.

Iniciar-se também uma discussão sobre o seu "defeito" é uma forma de a pessoa normal se sentir mais a vontade no ambiente.

No caso dos desfiguramentos faciais é recomendado que se faça uma pausa no limiar de um encontro para que os participantes tenham tempo de elaborar suas respostas e de se acostumarem à visão.

Aceitar ajuda quando lhes é oferecida é uma forma importante para se quebrar o gelo.

Considerando o fato de que os normais em muitas situações têm para com a pessoa estigmatizada a gentileza de tratar o seu defeito como se não fossa importante, e o fato de que, provavelmente, o estigmatizado sente que é um ser humano normal como qualquer outro, pode-se esperar que este algumas vezes se permita enganar-se e acreditar-se mais aceito do que realmente é. Tentará participar socialmente, de áreas de contato que os outros não o consideram como seu lugar adequado.

Um cego que comentou que havia gostado de um chá dançante e que tencionava retornar, causou espanto em quem o ouvia, porque achavam que aquele não era um lugar para um cego, que ele não poderia fazer aquilo. O caso de um homem aleijado que subiu as escadas de um restaurante ao ar livre, e foi impedido por dois garçons que diziam que ele não poderia freqüentar aquele ambiente, pois as pessoas iam lá para se divertir e não para sentirem deprimidas com sua presença.

O fato de que o estigmatizado pode se enganar quanto à aceitação diplomática de sua pessoa, indica que esta aceitação é condicional. Ela depende de que os normais não sejam pressionados além do ponto em que podem facilmente dar aceitação ou oferecê-la com dificuldade. Espera-se que os estigmatizados ajam cavalheirescamente e não forcem as circunstâncias; eles não devem testar os limites da aceitação que lhes é mostrada, nem fazê-la de base para exigências maiores.

O "BOM AJUSTAMENTO" exige que o estigmatizado se aceite, alegre e inconscientemente, como igual aos normais enquanto, ao mesmo tempo, se retire voluntariamente daquelas situações em que os normais considerariam difícil manter uma aceitação semelhante. Para os normais, o fato de o estigmatizado seguir essa linha, é porque a injustiça e a dor de ter que carregar um estigma nunca se apresentou a eles.

Exige-se do individuo estigmatizado que ele se comporte de maneira tal que não signifique nem que sua carga é pesada, e nem que carregá-la tornou-o diferente de nós; ao mesmo tempo ele deve-se manter a uma distância tal que nos assegure que podemos confirmar, de forma indolor, essa crença sobre ele.

A POLÍTICA DE IDENTIDADE

Tanto o intragrupo quanto o exogrupo apresentam uma idade do eu para o individuo estigmatizado.

Intragrupo: fraseologia predominantemente política; Exogrupo: fraseologia psiquiátrica.

A situação especial do estigmatizado é que a sociedade lhe diz que ele é um membro do grupo mais amplo, o que significa que é um ser humano normal, mas também que ele é ate certo ponto, "diferente", e que seria absurdo negar essa diferença. Quem diz o que é ou não diferente é a sociedade; se a sociedade decide que você é diferente, mesmo você não o achando, você passa a ser diferente, independentemente de sua vontade.

Assim, mesmo que se diga ao indivíduo estigmatizado que ele é um ser humano como outro qualquer, diz-se a ele que não seria sensato tentar encobrir-se ou abandonar "seu" grupo, ou seja, diz-se-lhe que ele é igual a qualquer outra pessoa e que ele não o é.

O EU E SEU OUTRO

Existe uma contradição do eu forjado pela sociedade, que se traduz pela dualidade de linha de pensamento, define o estigmatizado como normal e aceito, porém trata com indiferença. E a segunda linha que o mesmo é membro do grupo mais amplo e que ele é até certo ponto diferente. Essa piada é a sua sorte e seu destino.

DESVIOS E NORMAS

Desvios são considerados a ponte que liga o estudo do estigmatizado ao mundo social, e a forma de reação as situações as quais se encontram. Primeiramente, e citado negros e Judeus que tanto sofreram e sofrem como já é conhecido pelo contexto histórico e social. Contudo, os que realmente apresentam com seus defeitos, muitas dificuldades de interagir em nossa sociedade, ou seja, o "diferente" que acaba elaborando uma concepção relativa ao seu respeito.

Está implícito que não é para o diferente que se deve olhar em busca da compreensão da diferença, mas sim para o comum. As normas incorporadas pela sociedade definem o sucesso ou fracasso do EU, pois mantêm o efeito direto sobre a integridade do indivíduo. Visão e alfabetização são as de maior sustentação e adequação. Sendo normas de beleza física as que quase todo mundo fracassa em algum período na vida.

Normalestigmatizado: Consiste em uma relação de como o indivíduo era e se encontra atualmente em função de uma correção da sua diferença, apresentando uma alteração em sua personalidade em direção ao aceitável.

Contudo se for de forma contrária (normal x estigmatizado) contará com uma relação de aceitação.

ESTIGMA E REALIDADE

O estigmatizado e o normal são partes um do outro, ambos possuem características vulneráveis. Ao criarmos uma situação curiosa ou de simpatia nos deparamos com uma proteção de sua privacidade empregando uma forma grotesca de resposta.

Ex: ao ser perguntado sobre sua perna a uma menina, ela responde que pediu dinheiro a uma companhia de empréstimos e eles ficaram com a minha perna.

Concluí-se então que estigmatizados e normais, fazem parte de um mesmo processo social e ambos interagem entre si, porém em papéis diferentes em algumas fases da vida, são perspectivas que são geradas em situações sociais durante os contatos mistos.

Bibliografia complementar: Augusto Cury – O mestre da sensibilidade

A Maturidade Revelada no Caos.

"Quem vive sobre o peso da culpa fere continuamente a si mesmo, torna-se seu próprio carrasco e, de outro lado quem é radical e excessivamente crítico dos outros se torna um carrasco social". (Cury, 2001)

- mestre da escola da vida sabia das limitações humanas e o quanto é difícil de gerenciar nossas reações nas situações estressantes. Tinha consciência de que facilmente erramos e de que facilmente punimos a nós mesmos e aos outros.

Contrapondo-se as sociedades modernas

Um dia, apontando um deficiente físico, algumas pessoas querendo saber o motivo dessa deficiência indagaram Jesus: "Quem pecou, ele ou seus pais?".

Aquelas pessoas esperavam que ele dissesse que a deficiência era devido a um erro que ele mesmo havia cometido ou que seus pais tivessem cometido no passado. Tais pessoas estavam escravizadas pelo binômio do certo e errado, do erro e da punição. Mas para surpresa dela ele disse uma frase de difícil interpretação:

"Nem ele nem seus pais, mas aquela deficiência era para glória de Deus".

Por meio dessas palavras colocou as dores da existência em outra perspectiva. Todos nós abominamos as dores e dificuldades da vida, procuramos bani-las a qualquer custo de nossa história. Entretanto, o mestre da escola da vida queria dizer que o sofrimento deveria ser trabalhado e superado no âmago do espírito da alma, tal superação produziria algo tão rico dentro da pessoa deficiente que a sua limitação se tornaria uma "glória para o criador". (Cury, 2001)

DESVIOS DE COMPORTAMENTO DESVIANTE

Ao abordar o tema Desvios e Comportamento Desviante, Goffman explica um conceito relevante que é o de comportamento desviante, que significa que um membro do grupo não adere às normas analisando a relação entre os estigmatizadores e os comportamentos desviantes, sugerindo em conclusão o estudo dos casos desviantes como um campo específico da disciplina, e ao mesmo tempo, faz uma grande apologia aos indivíduos estigmatizados que sofrem preconceitos por parte da sociedade na qual vivem, pois estigma é motivo de exclusão social, olhares desconfiados e fala às escondidas.

Os ditos "normais" se acham no direito de apontar o dedo e julgar essas pessoas de acordo com os seus valores de normalidade. Assim cria-se uma expectativa sobre estas pessoas esperando um tipo de comportamento já programado, porém, o autor os defende de maneira a expor os tipos de estigmas, as características centrais de suas vidas, os tipos de socialização e contatos com a sociedade, as vitimizações e as privações.

É notório assim, que um grupo social dominante tenta legitimar os seus interesses pela pressão exercida sobre os indivíduos que o compõem – as regras não assumem um papel castrador de certos atos, mas sim a categorização de desviantes, isto leva a que os indivíduos, num geral, tentem adaptar-se aos valores impostos. No entanto, este comportamento coletivo (coletivo na medida em que a maior parte dos indivíduos constituintes da sociedade, que interagem entre si abraçam as regras como uma moral pela qual se deve reger e assim também denunciam os indivíduos desviantes) constitui um desígnio fundado num conjunto de valores que definem a ação social com as conseqüências da imposição desses mesmos valores.

A interação social é definitivamente, que leva ao conflito de interesses gerando regras (dominante e dominado) que eventualmente irão ser quebradas (desvio) por indivíduos que serão categorizados de desviantes, desta forma, o indivíduo desviante tem toda a consciência da regra que está a quebrar, e quebra-a com um propósito específico, com um interesse, algo a que poderemos chamar de Desvio para a afirmação, para esta. No entanto este desvio não deixa de ser condicionado, um desvio só pode ser considerado desvio se naquele determinado tempo e espaço daquele grupo social específico, o indivíduo não corresponder a uma determinada regra em vigor pelos organismos de imposição.

Ao considerarmos, porém, os comportamentos desviantes são necessários levar sempre em linha de conta que na perspectiva jurídica, nem todo o ato desviante é delito. Assim como no âmbito psicológico nem todo o delito é um ato desviante. Assim, a transgressão da norma não define de por si só o crime nem o desvio, porque os atos nunca são percebidos do mesmo modo e porque nem todos os atos anti-normativos são ilegais ou desviantes. Dado que estamos inseridos numa realidade social é compreensível que não descuremos as noções socio-jurídicas e não nos limitemos à simples constatação do ato, mas antes, estejamos atentos para as motivações e ao contexto psicossocial em que o mesmo se desenvolveu.

Exatamente como refere Velho, Goffman e outros autores ocupados com o estudo dos comportamentos desviantes e dos processos de estigmatização que a eles se relacionam, o usuário de drogas é transformado, não exatamente por sua prática de uso de drogas, mas sim pelas sanções e restrições impostas ao comportamento condenado pelo sistema de valores, em uma pessoa acusada de atos criminosos, de incapacidade de gerenciamento da própria vida, em ameaça potencial a todos que vivem em conformidade com o modelo "apropriado" de viver.

Os comportamentos desviantes se caracterizam por produzir marcas negativas na identidade social daquele que os apresenta, de modo a influenciar decisivamente as concepções e as ações dos demais em relação a estes, e vice-versa. Assim, o estigmatizado, o desviante é o suspeito principal ao qual será atribuída a culpa por esta ou aquela situação desfavorável, por este ou aquele delito, sendo assim, os mesmos comportamentos, em contextos e/ou épocas diversas, podem ocupar posições também diversas nos sistemas de valores (ou esquemas simbólicos) que normatizam e "preenchem" com conteúdo e ditames morais as relações que se estabelecem entre as diferentes pessoas e grupos no interior de uma coletividade.

De certa forma a acusação de "desviante" se dá no sentido de encontrar "bodes expiatórios" para quaisquer problemas ou dificuldades que se encontrem em meio à sociedade. Quer dizer, quaisquer características que afastem a pessoa do modelo "normal" podem servir, em uma situação de crise em que a estrutura valorativa e identitária do grupo se encontra, por alguma razão, abalada ou posta em xeque, como motivos suficientes para acusações. O desviante, deste modo, ao ser identificado à causa dos problemas, garante a manutenção da solidez do sistema de vida dominante, impedindo que este tenha de se confrontar com suas contradições, suas falhas e, principalmente, impedindo que as pessoas que o sustentam (e por ele são sustentadas) tenham de enfrentar o risco representado por todo e qualquer processo de mudança.

Em suma, trata-se da determinação, por parte da coletividade, de seus limites morais, das fronteiras entre o "aceitável" e o desviante, o que se dará por meio da definição de papéis e de posições sociais. Quer dizer, conceitos e seus significados são determinados (disputados) de modo a constituir um sistema de relações sociais mais ou menos normatizadas de acordo com as posições e os papéis que cada pessoa e cada grupo ocupa. Tais práticas denominadas "desviantes" não carregam, contudo, em si mesmas, uma natureza desviante. São elas o produto de relações históricas e sócio-culturais que conferem sentido e atribuem valor a conteúdos (a ações) que dependem inteiramente desse processo para serem compreendidos e julgados pelas pessoas e pelos grupos. O entendimento dos comportamentos desviantes enquanto conceitos relacionais ajuda a compreender os modos pelos quais as sociedades se constituem e se organizam pelo estabelecimento de papéis e posições sociais, sistemas de sentido e valoração e, também, os modos pelos quais as pessoas, imbuídas de tais sistemas, operam suas "verdades", suas "certezas", suas "simpatias" e seus "afetos", atuando e julgando em conformidade com tais sistemas, sejam eles majoritários ou minoritários. A identificação, portanto, daqueles comportamentos que serão classificados como "desviantes", dentre os inúmeros comportamentos humanos possíveis, podem nos prover de uma vasta gama de informações sobre a sociedade e sobre as formas como ela se pensa se produz, se mantém e se transforma a partir da atribuição de sentidos e valores a práticas que, em si mesmas, nada valem ou significam.

A obra, em uma analise global é de grande proveito no mundo acadêmico, tendo que com a leitura do livro cria-se uma reflexão e consciência da realidade vivida pelo estigmatizado, quebrando preconceitos e modificando a visão sobre este, e promovendo respeito mútuo entre as pessoas.

O conteúdo interdisciplinar da obra é sublime, com grande proveito nas áreas sociais (antropologia e sociologia), na Psicologia visando entender a subjetividade tanto do ser estigmatizado, como de quem estigmatiza; e no mundo jurídico para não fazer juízo de valores a uma pessoa que tenha um estigma. Em fim a todos que queiram entender a situação dos estigmatizados, e aos que querem aprender a se relacionar com eles de um jeito onde não emitam mais estigmas.

Referências bibliográficas:

BELO, Warley. Puctum diabolicum: a nova lei das drogas. In Revista IOB de Direito Penal e Processual Penal, nº 48-Fev-Mar/2008.

CURY, Augusto. Mestre da sensibilidade. São Paulo: Academia de inteligência, 2001

FERREIRA, Tatiana Lima. O estigma de cada um, encontrado em www.webartigosos.com/articles/5006/1/o-estigma-de-cada-um/pagina1.html acesso em 22/05/08.

GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004.

 

 

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publicado às 09:59

TANATOLOGIA

por Agar, em 15.11.18

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4.1 CONCEITO
Tanatologia é o estudo da morte.
Definição: Morte em definição simples é a cessação da vida. É a cessação permanente das grandes funções, assim compreendida as funções circulatória, respiratória e modernamente, após o advento dos transplantes, a função cerebral.
A tanatologia se divide em: Tanatognose, que estuda o diagnóstico da realidade da morte. Cronotanatognose, que estuda a determinação da hora ou data da morte.
A dificuldade e a complexidade de se diagnosticar a morte vem do fato de não ser ela um momento, um instante, mas sim um processo gradual e mais ou menos demorado, morrendo primeiro os tecidos mais diferenciados, que têm mais necessidade de oxigênio.
O avanço das técnicas de ressuscitação mostram a cada dia que a ausência de batimento cardíacos, pressão sistólica e movimentos respiratório espontâneo não indicam necessariamente a cessação da vida. Problema maior vem quando se quer definir a morte a nível celular. Muitas células podem sobreviver horas após declarada e morte clínica, se desenvolvem em laboratórios, formando colônias, ou são guardadas em bancos, congeladas, para transplantes, como medula óssea, vasos sanguíneos, etc. Mais difícil ainda é definir a morte a nível cerebral. Hoje se considera que um cérebro funcionando ou potencialmente funcionando é condição sine quanom para existência de vida.
A determinação de lesão cerebral irreversível é tarefa muito difícil. Não existe um método de laboratório que dê resposta inequívoca a esta questão; o eletro encefalograma é o método mais eficaz. Uma das conseqüências de morte cerebral é a cassação da atividade elétrica do cérebro, que se manifesta pelo achatamento do traçado. Entretanto, um EEG isoelétrico não é certeza por si de morte cerebral. Condições como hipotermia, intoxicações por substâncias depressoras do SNC, especialmente barbitúricos, podem ocasionar um achatamento do EEG, pelo menos temporariamente. Afrânio Peixoto divide os sinais de morte em: _ Duvidosos – Encontra-se na morte mas também em vários estados patológicos. _ Prováveis – São excepcionalmente encontrados fora da condição de cadáver, alguns deles podem começar já na agonia. -Certos: 4.1.1 Sinais duvidosos. Imobilidade do corpo, flacidez dos membros, perda da consciência, insensibilidade geral, em especial dos sentidos, suor frio, horripilação da pele, ponta do pé desviada para fora, flexão do polegar na palma da mão, o peso e o alongamento do corpo, cessação dos movimentos aparente da respiração, cessação dos movimentos cardíacos, ausência de pulso, face cadavérica, descoramento tegumentar, cor amarela das palmas dos pés e das palmas da mão, falta de transparência da certas regiões do corpo (mão, orelhas, etc.) à transiluminação. 4.1.2 Sinais prováveis. Resfriamento progressivo do corpo, paralisia dos esfíncteres (pupilas dilatada, incontinência de fezes, urina, saliva), deformação da pupila, rigidez cadavérica, manchas da esclerótica, depressão do globo ocular, sinal de Bouchut (opacificação da córnea, vacuidade da artéria central da retina, descoramento do fundo do olho, interrupção gasosa do sangue das veias retinianas), ausência de reação inflamatória pela ação do calor e cáusticos, sugilações ou livores cadavéricos. 4.1.3 Sinais certos. Pergaminhamento da derma,mancha verde abdominal, parada completa e prolongada da circulação, prova de Icard (injeção de fluresceina 1cg/kg), introdução de papel poroso embebido em acetato de chumbo nas fossas nasais (na morte aparece cor negra pelo hidrogênio sulfurado da putrefação), provas de Ambard e Brissemoret (verificação da acidez dos meios orgânicos verificado na polpa esplênica e hepática, obtidos por punção), prova de Lecha Marzo ( verificação da acidez cadavérica através de papel tornassol sob as pálpebras). 4.2 Flamínio Fávero assim dividido os fenômenos cadavéricos para diagnóstico da realidade da morte:4.2.1 abióticos ou avitais ou vitais negativos, que se dividem em fenômenos abióticos imediatos e fenômenos abióticos consecutivos.4.2.1.1 Fenômeno abióticos imediatosa) Perda da consciênciab) Insensibilidadec) Imobilidade e avolição do tono muscular. Sua verificação se faz pelos seguintes meios:
1) Prova de Rebouilat, que consiste na injeção de 1cm3 do éter no tecido celular subcutâneo e verificar sua difusão ou não.
2) Fascies hipocrática3) Imobilidade e atitude característica4) Relaxamento dos esfíncteres5) Inexcitabilidade elétrica6) Dinamoscopia de Collongues
d) cessação da respiração que pode ser observada por:
1)- Ausculta da caixa toráxica2) –Espelho colocado diante dos orifícios respiratórios3)- Chama de vela na frente dos orifícios respiratórios4)- Felpa de algodão colocada diante das narinas5)- Vasos de água colocado sobre o peito
e) cessação da circulação verificada por:1-ausência de batimento cardíaco pela ausculta2-fenômeno oculares: __esvaziamento da artéria central da retina __interrupção da coluna sanguínea das veias retinianas __descoramento da papila ótica __descoramento da coróide __cessação da circulação na rede capilar da conjuntiva3- prova ácido pirástica de Middeldorf ( verificação dos movimentos cardíacos pela introdução de agulha no precórdio)4- arteriostomia5- ligadura de um membro ou parte dele – sinal de Magnus6- coagulação do sangue – prova de Donne7-sinal da ventosa escarificada de Lasseur (aplicação de ventosa escarificada na região epigástrica, se aparecer sangue há vida) 8-forcipressão física de Icard9-eletrocardiografia-preconizada em 1921 por Eithoven e Hugenoltz10-radiologia cardíaca (radioscopia, preconizada em 1927 por Piga)11-radiologia dos vasos sanguíneos (Hilário Veiga de Carvalho, em 1832)12-prova de flueresceína de Icard 4.2.1.2 fenômeno abiótico consecutivo
4.2.1.2. 1 evaporamento tegumentar que é verificada por:
a) perda de peso do corpo
b) pergaminhamento da pelec) dessecação das mucosas (boca e lábios)d) fenômeno oculares, achatamento de globo ocular, perda de transparência da córnea Tela albuminosa da córnea, conseqüente à coagulação de substância albuminaides, descamação do epitélio e poeiras). Mancha da esclerótica – sinal de Sommer Larcher (devido à dessecação da esclerótica que permite a visibilidade da coróide subjacente).
4.2.1.2.2 resfriamento do corpo
Cessada a vida, deixam de existir os mecanismos termorreguladores e o corpo passa se comportar como qualquer objeto inanimado. Trocará calor com o meio que o circunda. Recebe calor se o meio apresenta temperatura mais elevada, cede calor se a temperatura ambiente é mais baixa. A segunda hipótese é a mais ocorrida com freqüência. Este resfriamento é progressivo e pode ter seu ritmo alterado por diversos fatores que podem ser intrínsecos ou extrínsecos.
Fatores intrínsecos:
a) idade- os adultos se esfriam mais lentamente que as crianças, em igualdade de condições.b) Constituição do corpo – os indivíduos de maior volume (mais corpulentos, mais musculosos, mais gordos) esfriam-se mais devagar.c) Causa mortis- estado febris retardam. Estados consumptivos agem apressando o esfriamento do corpo.
Fatores extrínsecos:
a) as vestes b) a unidade – elevada dificulta a evaporação e irradiação do calor restando o esfriamento do corpo.c) Arejamento d) O local- ambiente fechado, abafado, protegem contra a perda de calor. Segundo lombroso,uma diferença de 5 a 6 graus entre a temperatura axilar e retal é sinal certo de morte. Segundo Flamínio Fávero, a temperatura no estado de São Paulo cai na proporção de 1,5 grau por hora. Para Almeida Junior, esta queda se dá à velocidade de 1 grau por hora. Esta queda é mais lenta nas 3 primeiras horas, voltando a ficar lenta novamente ao se aproximar do equilíbrio térmico.
3 4.2.1.2.3 Hipóstases (Livores cadavéricos ou livores de hipóstases) Depois da morte, o sangue obedecendo as leis físicas, da gravidade e dos vasos comunicante, acumula-se nas veias situadas nas posições de maior declive, não só das superficiais,mas também nas vísceras, são os livores de hipóstases ou cadavéricos e as hipóstases viscerais. Elas informam sobre a causa da morte, mudança de posição do cadáver e também a respeito da hora da morte. No estado de São Paulo, de acordo Flamínio Fávero, inicia-se como pontilhado hemorrágico aos 10 minutos após a morte. Após 1h são bem visíveis. Dentro de 8 a 12h já estão fixos. Estes prazos podem variar, pois há causas que podem retardar ou acelerar o processo. São geralmente de cor violácea escura, podem porém ser de cor vermelho claro no afogamento ou nas mortes pelo monóxido de carbono. São pálidos ou pouco visíveis nas mortes por anemia aguda. Nos primeiros momentos, o sangue está contido no interior das veias das zonas de maior declive, mas pouco a pouco, vão infiltrando os tecidos, adquirindo a mancha o caráter persistente. Isto pode explicar o seu desaparecimento ou não, com a mudança da posição do cadáver, de acordo com o tempo decorrido após a morte. Desaparecem pela mudança de posição do cadáver dentro das 8 a 12hs da morte. Entretanto, estudo histológico das regiões onde anteriormente havia livor, pode denotar sua existência ali. A isto denomina-se fixação histológiva do livor e ocorre após 3 a 4 hs, após a morte. Alcançam sua maior intensidade e não mudam mais de posição decorridas 8 a 12hs da morte, por isto são chamados de livores fixos. Diagnóstico diferencial entre livor e equimose O livor é fenômeno cadavérico, a equimose é lesão vital. No livor o sangue está dentro das veias, na equimose o sangue extravasa e infiltra as malhas dos tecidos. O livor desaparece pela compressão, a equimose não. Quando se secciona uma zona de livor, vemos que está livre de infiltração hemorrágica e pouco, o sangue começa a projetar. Na equimose, vemos que os tecidos estão infiltrados por sangue. Este diagnóstico se faz necessário pois os livores no início se assemelham a equimoses. 4.2.1.2.4 Rigidez cadavérica A rigidez constitui um fenômeno físico-químico de endurecimento do cadáver. Cessada a circulação, os catabolitos não podem ser eliminados e acumulam-se, entre eles o ácido lático. Há acidificação das células, concorrendo para o aparecimento da rigidez. A desidratação também contribui para o aparecimento da rigidez. Etiene Martin dá grande valor à desidratação e à precipitação de matérias albuminóides no fenômeno da rigidez. A rigidez cadavérica representa simplesmente a coagulação das proteínas musculares da qual resulta a formação da miosina ou coágulo muscular, devendo ser comparada a necrose de coagulação. O seu desaparecimento subseqüente ocorre por conta do amolecimento do coágulo por enzimas autolíticas. Forçado o membro, o coágulo muscular pode se fragmentar permitindo a sua fácil mobilização. Uma vez desfeita a rigidez não mais aparece. A razão provável da rigidez é resumida por Herzen. A fibra muscular produz, resultante da desassimilação, um substância ácida que quando abundante e não arrastada facilmente pela corrente circulatória, determina contraturas musculares. É o que se dá após violento e exaustivos exercícios físicos. Este ácido lático ou sarcolático reage sobre o fosfato bipotássico, que existe normalmente nos músculos, formando-se fosfato de potássio, que precipita o miosinogênio, substância protéica de fibra, em miosina. A rigidez é a precipitação da miosina. A rigidez é um estado de breve encurtamento, ligeiro espessamento e notável dureza muscular, pela contração muscular, pela coagulação ou precipitação de albuminóides de sua constituição. Caso especial de rigidez cadavérica é o espasmo cadavérico ou rigidez cataléptica. Sucede a uma enérgica e última contratura muscular, quando sistema nervoso central é atingido, nas mortes de indivíduos extenuados pelo exercício físico, doença convulsivantes ou envenenamentos pela estricnina. O espasmo é persistência no cadáver da posição que tinha o indivíduo, no momento da morte. Pode ser total ou parcial (localizada). A rigidez obedece a lei de Nysten Sommer: se inicia pela mandíbula, nuca, tronco, membros superiores e membros inferiores, desaparecendo na mesma ordem. Observações do Instituto Oscar Freire constataram que a rigidez tem seu início em torno de 1h, se generaliza em torno de 2 a 3hs, atingindo sua intensidade máxima cerca de 5 a 8hs após a morte, podendo durar até 2 a 3 dias, embora normalmente desapareça por volta de 24hs depois da morte.
4.2.1.2.5 Fenômeno transformativos do cadáver
Autólise mumificação
_Destrutivos- putrefação _ Conservadores
maceração saponificação
4.2.1.2.5.1 Autólise
Ocorrendo a morte é cessada as trocas nutritivas, o meio se acidifica e esta acidificação do meio pode ser verificada por:
1) Sinal de Laborde – uma agulha de aço polida é introduzida no tecido e retirada meia hora após. Se brilhante a morte é real.
2) Sinal de Brissemomoret e Ambard - verificação da acidez na polpa do baço ou do fígado, obtidos por torcater e verificada pelo papel de tornassol. Se vivo reação alcalina, e ácida na morte.
3) Sinal de Lecha Marzo - verificação da acidez através de papel de tornassol azul e vermelho colocados entre o globo ocular e a pálpebra.
4) Sinal de De Dominicis – verificação da acidez da pele após escarificação com bisturi, sem atingir a derme, verificada pelo papel de tornassol. (Areação é mais precocemente observada no abdome.)
5) Sinal de Silvio Rabelo – pesquisa da acidez dos tecidos através de fio de seda corado pelo azul de bromotimol, passdos através de pele. Se corado de amarelo ao ser retirado indica acidez e morte.
6) Forcipressão química de Icard – pinçar a pele e recolher a serosidade obtida e verificar a acidez.
William Boyd em seu livro de anatomia patológica e patologia dá como causa importante da autólise a ação de enzimas presentes em todos os tecidos e células e demonstra com diversas experiências a veracidade desta afirmativa.
4.2.1.2.5.2 Putrefação Segundo Balthazard, a putrefação é a decomposição das matérias albuminódes com produção de gases pútridos. Neste processo, tem grande importância, inicialmente, as bactérias aeróbias, que esgotam o oxigênio do cadáver. Depois entram em cena os anaeróbios, que são os produtores da putrefação gasosa, decompondo as albuminas e produzindo gases (gás carbônico, ácido sulfídrico, amônia, hidrogênio). Lecha Marzo assim resume a atuação dos micróbios na putrefação: “Na gênese dos fenômenos da putrefação gasosa, a coloração verde e liquefação dos tecidos cadavéricos sejam adultos ou fetais, os microorganismos anaeróbios são o bacilo butírico, o bacilo pútrido, o pseudo vibrião séptico, o grupo dos bacilos tetaniformes. O primeiro preside na cadáver, a fermentação dos hidratos de carbono; o segundo e os restantes à decomposição das substâncias protéicas. A putrefação cadavérica gasosa é produzida principalmente pelo bacilo butírico de Grüber e pelo e pelo bacilo pútrido de Bienstock-Klein. A coloração esverdeada dos tecidos cadavérico provém dos gases que se desenvolvem por ação do bacilo pútrido de Bienstock-klein. A coloração esverdeada dos tecidos cadavéricos provém dos gases que se desenvolvem por ação do bacilo pútrido de Bienstock-Klein, e deve-se principalmente à combinação do hidrogênio sulfurado com hemoglobina, na presença do oxigênio; os tecidos mais superficiais ou mais expostos à ação do oxigênio apresentam mais rapidamente a coloração esverdeada. A liquefação dos tecidos cadavéricos é produzida principalmente pelo bacilo de Bienstock-Klein e nos períodos finais também pelos bacilos tetaniformes. Fatores que modificam a marcha da putrefação: Dentre todos os fatores que citaremos aidante, a temperatura é de grande importância, estando a atividade bacteriana estreitamente ligada a ela. O máximo da atividade bacteriana estreitamente ligada a ela. O máximo da atividade bacteriana se dá entre 20 a 30 graus de temperatura, sendo muito reduzida abaixo de zero grau ou acima de 60 graus, sendo muito reduzida abaixo de 10 graus. Assim sendo, o que ajuda a conversar a temperatura do corpo, favorecerá a putrefação. Os fatores que podem modificar a marcha da putrefação, se dividem em intrínsecos e extrínsecos: Os fatores intrínsecos se relacionam com cadáver:
a) idade. A putrefação é mais rápida nas criança.
b) Constituição. É mais acelerada nos indivíduos mais corpulentos e obesos.c) Causa mortis. È mais acelerada nas mortes por infecção, septicemia, nas asfixias, etc.


4.2.1.2.5.2.1 Fatores extrínsecos:
a) temperatura
b) umidadec) ar-ventilaçãod) condições do soloe) vestes do cadáver - os cadáveres com vestes grossas conservam calor, o que acelera a putrefação. A putrefação é classificamente dividida em 4 períodos:1° período – da coloração ou das manchas2° período – gasoso3° período - coliquativo4° período – esqueletização
4.2.1.2.5.2.1.1 Período das manchas
O ponto de partida da putrefação é geralmente o intestino, onde o flora bacteriana é mais abundante e a primeira manifestação visível deste processo é a mancha verde que se localiza geralmente na região inguino abdominal direito, onde o intestino grosso (ceco) está mais próximo da pele. Aparece cerca de 20 a 24 hs, após a morte, e é devida à ação do gás sulfídrico sobre a hemoglobina. Da fossa ilíaca se espalha para o abdome, o tórax, pescoço e face.
Aparece manchas irregulares, principalmente ao longo dos póstumas que se desenha, às vezes em relevo. (é denominada circulação póstuma de Brouardel. O sangue devido a pressão dos gases da putrefação volta a encher os vasos). A pele toma uma cor vermelho escura, suja, devido à destruição das hematias com embebição dos tecidos pela hemoglobina. Esta embebição vai despregando o corion e a epiderme, que se destacam com facilidade e às vezes espontaneamente.
4.2.1.2.5.2.1.2 Período gasoso
Os gases de putrefação vão se acumulando nos tecidos e o cadáver vai se agigantando, inicialmente onde o tecido é mais frouxo, face, escroto, pênis. Ao mesmo tempo, a produção de gases vai formando vesículas na pele, com conteúdo gasoso e líquido de tonalidade pardacenta escura. Os gases dos primeiros dias são inflamáveis (H²). Na cavidade abdominal, onde os gases se acumulam, produzem grande pressão, bombeando as vísceras e seus conteúdos daí os vômitos post mortem, os partos post mortem, a protusão da língua, prolpsos de útero, bombeiam o sangue aí acumulado, formando a chamada circulação póstuma de Brouardel. Os tecidos moles vão se destruindo. Este período evolui no prazo de 1 a 3 semanas.
No início, o período gasoso pode ser verificado por provas laboratoriais. Icard achava que a putrefação começa tão logo cessa a vida e preconizava a prova sulfídrica, o que fazia colocando papéis que foram previamente embebidos em acetato de chumbo, nas narinas, fechando a boca do cadáver. Havendo putrefação haverá desprendimento de gases sulfídricos, principalmente ácido sulfídrico, que tornarão o papel com cor escura característica.
4.2.1.2.5.2.1.3 Período coliquativo
A medida que a putrefação progride o cadáver vai se destruindo, os gases vão escapando, os tecidos vão como que se dissolvendo, as partes moles vão desaparecendo até restar somente o esqueleto.
Neste período, além das bactérias, têm importância os insetos e suas larvas que invadem o cadáver desde o primeiro período da putrefação e que ajudam a destruir o cadáver. Esta fauna cadavérica tem sido objeto de estado de diversos autores, varia com as regiões e é diferente conforme o cadáver esteja sepultado ou exposto ao ar livre. Este período pode evoluir num prazo de 1 a 3 semanas. 4.2.1.2.5.2.1.4 Período da esqueletização
As partes moles do cadáver vão sendo destruídas e consumidas pelas bactérias e com a ação do terreno e do meio ambiente até que só restam os ossos. Este período pode durar de alguns meses a alguns anos.
Devemos destacar que jamais dois cadáveres terão evolução idêntica do processo putrefativo. É comum encontrarmos dois ou mais cadáveres cuja o meio da morte é o mesmo, ocorrendo esta ao mesmo tempo e deixando no mesmo local, a putrefação evolui de modo diverso.
4.2.1.2.5.3 Maceração
A maceração pode ser asséptica ou séptica, conforme as condições do meio em que o corpo permanece.
A maceração de forma asséptica ocorre com o feto morre retido no útero. Ocorre a maceração de forma séptica nos cadáveres mantidos em meio líquido contaminado, como nos afogados. É conseqüência de excesso de umidade ou presença de muito líquido, ocorre a atuação da flora bacteriana especial quando septo somente ação de enzimas no caso de feto retido no útero, ou quando o meio é séptico. Há destacamento da epiderme, que se torna esbranquiçada e pregeada. É característica a saída da pele das mãos e dedos que saem como luvas. Os tecidos vão se amolecendo, até mesmo o esqueleto fetal. Os tecidos vão tomando uma cor castanho escura.
4.2.1.2.5.4 Mumificação
A mumificação se produz espontaneamente quando o cadáver encontra condições especiais, a saber temperatura elevada, ambiente seco e arejado. Tanto ocorre no cadáver exposto ao ar como no sepulto. Estas condições são encontradas em regiões desérticas, como no Saara, no nordeste brasileiro.
Nestas condições, o cadáver desidrata rapidamente, inibindo a atividade bacteriana, impedindo ou interrompendo o processo de putrefação e nestas condições o cadáver se conserva indefinidamente. O cadáver tem um aspecto enrugado de volume e peso diminuídos, a pele tem tonalidade escura, é dura, com consistência de couro seco. 4.2.1.2.5.5 Saponificação ou adipocera
Flamínio Fávero assim define a saponificação. Chama-se saponificação o processo que transformam o cadáver em substância de consistência untuosa, mole, quebradiça às vezes, de colorido amarelo claro. Há uma transformação gordurosa e calcárea do cadáver.
Este processo ocorre devido à circunstâncias que são intrínsecas ao cadáver e principalmente ao meio onde permanece o corpo. Como condições individuais temos:1) Idade – facilidade nas crianças2) Obesidade – facilita3) Causa mortis - intoxicações pelo álcool e pelo fósforo facilitam.
Condições ambientais:
1) Local úmido ou meio semi-líquido com água que se escoa e se renova.2) Solo argiloso que retém a água, ricos em sais de cálcio.
A adipocera transforma quimicamente todos os tecidos do cadáver conservando este sua forma com as feições como se tivesse acabado de morrer. A pele é pouco alterada.
As gorduras se transformam em glicerinas e acides graxos e estes se combinam com álcalis dando sabões amoniacais e alcalinos terroso. Posteriormente estes se transformam em sabões calcáreos, por ação de sais da água, adquirindo o cadáver uma maior resistência.A adipocera começa cerca de 1 mês de permanência do corpo na água; é visível e franca na face aos 3 meses. A transformação completa requer cerca de 1 ano. No início do processo ainda é possível reconhecer os diversos órgãos, depois todos são idênticos.

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